Entrevista com Alex Centeno, pré-candidato a vaga de novo Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Pará – TJ/PA

Oriundo de uma família onde a maioria seguiu a medicina, Alex Centeno tinha tudo para não optar pelo direito, mas ainda durante o vestibular sua decisão já havia sido tomada: seria advogado. Após cursar o bacharelado e realizar estágio no escritório Freire, Farias e Viana por dois anos, e na IOM, em Washington, DC, uma organização vinculada a ONU – Organização das Nações Unidas, retornou ao Brasil e passou no exame de ordem, tornando-se advogado em 2009. Esses foram apenas os primeiros passos de uma trajetória sólida na área, como conta Centeno em entrevista exclusiva para o Cenário News.

Foto: Arquivo pessoal

Após a aprovação no exame da OAB, quais foram seus próximos passos?
Fui para São Paulo, onde fiz duas pós-graduações na GV Law (FGV). Uma em Direito Tributário e a outra em Direito Penal Econômico. Ao voltar para Belém, em 2011, eu fundei, junto com os meus sócios, Dr. Leonardo Nascimento e Arthur Pinheiro, o CNP Advogados. Atualmente, o escritório tem 11 anos e conta com um elenco de mais de 25 colaboradores e atende todo o Estado.

Nesses anos atuando na advocacia, nunca deixei de lado a classe, ingressando como membro de comissão e depois presidente da comissão de assuntos tributários da OAB/PA. Por indicação da Ordem fui membro da comissão que implementou a nota fiscal paraense.

Na gestão seguinte, fui conselheiro suplente, deixando a OAB ao final desse triênio para ter a honra fundar junto com colegas muito gabaritados a AATP – Associação dos Advogados Tributaristas do Pará. Fui vice-presidente, presidente e conselheiro desta associação. Ela, hoje, conta com mais de 100 associados e já deixou sua marca na história do Estado do Pará ao ganharmos a concorrência para elaboração do estudo da reforma das normas tributárias do Pará, mostrando toda a qualidade da associação, mesmo com poucos anos de existência.

Atualmente, eu advogo nas áreas tributária, empresarial, administrativa e eleitoral. Participei do corpo jurídico da campanha do atual governador em 2014 e de algumas prefeituras em 2016, dentre elas, a de Belém. Em 2018 e 2022 coordenei a área jurídica das campanhas vitoriosas de Helder Barbalho, sendo membro do grupo de transição de governo em 2018.
Já atuei em causas relevantes a nível estadual e nacional, com grandes nomes da advocacia em ambas as frentes, visitei inúmeros escritórios no Brasil para aprender as diversas formas de gestão e poder buscar o que há de melhor.

Fico feliz com as escolhas que fiz. Acertei quando decidi ser o primeiro advogado da família e, hoje, eu não me vejo fora do direito.

Para você, como o Direito e a militância política podem conversar para alavancar ainda mais o trabalho desenvolvido no TJ?
A advocacia sempre andou de mãos dadas com a democracia. Sempre, nos momentos decisivos do Brasil, advogados e a OAB estavam ativamente participando do momento.
No TJ não é diferente. O Tribunal é o guardião máximo do direito no nosso Estado. Seus membros têm história e participação ativa na sociedade.
O magistrado, principalmente nas cidades menores, atua como uma referência democrática, alguém que o povo respeita e que auxilia no dia a dia da sociedade. Portanto, sempre, em algum grau, a política, a vida em sociedade e poder judiciário estão conectados.

No meu caso, vivi a militância política, acompanhei a sociedade de perto e pude observar e aprender os anseios sociais. Na OAB, da mesma forma, eu pude ver os anseios da advocacia e, agora, ao ser pré-candidato ao quinto constitucional, levo essa experiência para somar e aprender com os magistrados de carreira, não deixando de ter conexão e sensibilidade para com a sociedade, fatores muito importantes nos dias de hoje.

O que te motiva a se candidatar ao cargo?
Eu acredito no judiciário. Acredito, também, que cada um de nós pode fazer a diferença na sociedade de alguma forma. Me vejo contribuindo, me vejo como um instrumento para levar uma visão diferente, que contribua com o Tribunal. Natural que minha trajetória tenha me moldado de forma diferente de um magistrado de carreira. Percebo isso como algo salutar. Lei, precedentes, jurisprudência e normas devem ser respeitadas e seguidas. O Tribunal merece respeito à sua história e posicionamentos, mas levando em conta esses fatores, nada impede que novas visões e opiniões sejam apresentadas ao colegiado com o ideal de contribuir para a sociedade.

O fato de você ser ainda muito jovem pode trazer que tipos de benefícios para a classe?
Eu nunca tive comigo essa barreira. Enfrentei inúmeras vezes esse preconceito e nunca deixei ser algo que afete o resultado. Sei que experiência vem com o tempo, mas acredito ter os atributos, a sensibilidade e a maturidade que me permitem entregar o resultado esperado.

Atualmente, sou um pré-candidato que reflete a sociedade. Jovens ganhando espaço. Veja no poder executivo estadual, veja nos quadros da OAB, veja nos novos magistrados e membros do MP. Observem os novos membros dos tribunais superiores. A juventude, se assim podemos dizer, já que tenho 36 anos, não me é um limitador, mas sim, algo que me permite representar e me conectar com uma grande parcela da classe dos advogados e daqueles que fazem as engrenagens da economia e da sociedade se moverem.

Com informações da assessoria